Domingo fomos presenteados com 5h 53m de um espetáculo de outro mundo. Dois gladiadores modernos que ao invés de espadas usam raquetes e ao invés de sangue, derramam suor.
O mundo do esporte assistiu não apenas uma aula de tênis, mas uma aula de raça, vontade, determinação, perseverança, preparo físico e mental, fair play, entre outras coisas que servem de exemplo não apenas para tenistas, ou esportistas em geral, mas para qualquer um que tenha sensibilidade para perceber a grandeza do feito ali realizado.
Novak Djokovic e Rafael Nadal mostraram o porque são os dois melhores tenistas da atualidade. No decorrer da final mais longa da história um Grand Slam vimos o que é ser um atleta de elite nos dias atuais. Não são todos os que estão dispostos a pagar tal preço para se tornarem os maiores da história.
Jogar dia sim, dia não, por duas semanas e ainda conseguir jogar no nível de intensidade e concentração que os dois jogaram durante todos os 369 pontos, 55 games e 5 sets da partida da final de um Grand Slam (e tudo que isso significa), não é para qualquer um.
Não sei se agora momento para falar de técnica e tática, até porque chega um momento da partida que isso tudo vai para o espaço e o que sobra é o coração e a vontade de vencer. Mas gostaria deixar algumas impressões.
Descrever o Djokovic é até difícil. Ele tem bola, sabe usá-las, sabe atacar e defender, seu arsenal é vasto. Está mentalmente fortíssimo, conseguindo jogar os pontos mais importantes com confiança, coragem e precisão. Seu físico também é fora do sério (apesar dele adorar se fingir de morto, fazer cara de dodói, chamar médico ou ir ao banheiro quando a coisa complica). Mas enfim, o cara é espetacular e merece estar onde está.
Já Nadal parece ter um coração em cada parte do corpo. Sua perseverança é algo incrível. Não há um ponto que ele não jogue como se fosse o último de sua vida. Mas algo parece acontecer quando seu adversário é Novak Djokovic. Nadal teve suas chances, muito mais que em todos os seis confrontos de 2010, mas não conseguiu capitalizar.
A impressão que tive ao longo do jogo é que o grande problema de Rafa está em seu saque e as estatísticas do jogo mostram um pouco isso. Djoko montava nos 2o saques de Nadal, o que o pressionava tremendamente. Muitas vezes o espanhol escolhia apenas por colocar o 1o saque em jogo com receio de ter que usar o 2o. Contra um adversário como o sérvio, a média do 2o saque não pode ser 136km/h como foi o caso. (Só para efeito de comparação, a média do 2o saque de Djokovic foi de 150km/h). Acho que é um ponto que Nadal já evoluiu bastante, mas precisa melhorar ainda mais, uma vez que faz falta em jogos como esse.
Mas isso tudo é o de menos numa partida como essas. O mais importante é a celebração do esporte e do espetáculo que é o tênis. De fato, como muito foi comentado, é um pena não podermos dividir o título entre esses dois grandes campeões.
A história do tênis é escrita todos os dias, a cada jogo disputado em qualquer torneio realizado nos quatro cantos do mundo. A maioria dessas histórias será contada apenas pelos participantes desse ou daquele jogo, mas alguns capítulos são especiais e serão lembrados, contados e debatidos para sempre. Essa final com certeza será uma delas e me sinto feliz e privilegiado de poder te-la assistido. Parabéns aos dois monstros e obrigado!
A temporada do tênis profissional começou e já está fervendo do outro lado do mundo, enquanto isso os brasileiros vão se agitando para o Brasil Open 2012.
Depois de 10 anos sendo disputado na Costa do Sauípe, o maior torneio profissional do Brasil se mudou para a maior e mais importante cidade do país. São Paulo recebe a competição pela primeira vez e terá seus jogos disputados no Ginásio do Ibirapuera a partir do dia 11 de fevereiro com os jogos do qualifying.
A chave principal do torneio será disputada entre os dias 13 e 19 e contará com grandes nomes do tênis mundial. Abaixo estão alguns dos destaques do torneio com seus respectivos rankings e melhores posições já alcançadas:
- Gilles Simon, francês (atual 14o | melhor 6o); - Fernando Verdasco, espanhol (atual 24o | melhor 7o); - Juan Ignacio Chela, argentino (atual 29o | melhor 15o); - Thomaz Bellucci, brasileiro (atual 37o | melhor 21o); - Juan Carlos Ferrero, espanhol (atual 48o | melhor 1o); - Tommy Robredo, espanhol (atual 51o | melhor 5o); - David Nalbandian, argentino (atual 87o | melhor 3o).
O torneio continuará sendo disputado no saibro, mas dessa vez será indoor, algo bom considerando a quantidade de chuva que tem caído em São Paulo.
O campeão do torneio receberá 250 pontos no ranking da ATP, além de levar uma premiação de US$85.800.
De 2a a 6a feira, as partidas terão início a partir das 12h. No sábado a partir das 15h e no domingo às 13h. Esses horários estão sujeitos a alterações.
Os ingressos já estão sendo vendidos e as cadeiras inferiores para as semifinais e final já estão esgotados. Portadores dos cartões American Express e afiliados a Confederação Brasileira e a Federação Paulista de Tênis possuem descontos especiais na compra de ingressos. Mais informações podem ser encontradas no site do Brasil Open www.brasilopen.com.br.
Depois de muitos anos esperando, o torneio finalmente veio para a cidade onde ele merecia estar. Vamos torcer por um grande evento e que o público compareça em peso, faça uma bela festa e prove que é aqui que o Brasil Open pertence.
Não percam essa oportunidade de assistir grandes nomes do tênis duelando nas quadras brasileiras.