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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Mauresmo também se despede!

O tênis mundial ficou carente de mais uma estrela, mas dessa vez no circuito feminino. Após as aposentadorias de Safin e Santoro no circuito masculino, foi a vez de Amélie Mauresmo pendurar as raquetes.

A francesa de 30 anos, decidiu jogar tênis aos 4 anos ao ver pela TV Yannic Noah conquistar Roland Garros em 1983. Iniciou sua carreira profissional em 1993 jogando
pequenos torneios da ITF na França. Em 1998 começou a mostrar seu jogo no Aberto da Alemanha, quando furou o qualifying, derrotou Lindsey Davenport e Jana Novotina, ambas estavam entre as três melhores do ranking na época, antes de perder na final para Conchita Martinez. Mas ela realmente apareceu para o mundo em 1999, quando chegou a final do Australian Open perdendo para Martina Hingis na final. Nessa época Mauresmo era a 29a no ranking.

A partir dai ela foi crescendo e fixou seu nome como uma das melhores jogadoras do mundo. Com uma belíssima esquerda de uma mão, golpes potentes e jogo de rede muito superior as outras tenistas, Mauresmo terminou entre as 10 melhores no ranking de 1999 a 2006. Foi em 2004 que ela teve sua grande conquista até então, tornando-se a primeira tenista franc
esa (entre homens e mulheres) a liderar o ranking. Nem mesmo a mais famosa das tenistas francesas, Mary Pierce (dois títulos de Grand Slam e quatro vices), conseguiu tal façanha. Nesse ano ela permaneceu cinco semanas no topo e ainda conquistou a medalha de prata nas Olimpíadas de Atenas.

Mas o grande ano de Mauresmo ainda estava por vir. Em 2006 que ela conquistou seus
dois Grand Slams, Australian Open e Wimbledon, além de permanecer por mais 34 semanas na liderança do ranking da WTA. O ano seguinte foi marcado por cirurgias e contusões que a tiraram das quadras por alguns meses. Desde então seu rendimento começou a cair, bem como seu ranking. A idéia de parar foi crescendo e ao final de 2009, ela decidiu se retirar das quadras no momento em que ocupava a 21a posição no ranking da WTA.

Mauresmo declarou que para brilhar no circuito é necessário muito esforç
o e dedicação, mas que ela não queria mais ter essa dedicação. Disse também que estava cansada de treinar, mas que sentiria falta de tudo o que passou e que teve experiências maravilhosas. Diz-se também muito feliz e satisfeita com todas suas conquistas.

Durante sua carreira Amélie Mauresmo conquistou 25 títulos de simples e 3 de duplas. Além dos dois Grand Slams, ela também ganhou a Fed Cup (Copa Davis feminina) em 2003 e o Masters em 2005. Foram 545 vitórias e 227 derrotas. Embolsou em premiação US$15 milhões. Seu último título veio em Fevereiro desse ano em Paris onde venceu duas top 5, Elena Dementieva e Jelena Jankovic.

A França perde mais um ídolo e o tênis perde mais uma estrela! Parabéns Amélie por sua carreira! Aproveite sua aposentadoria!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O Adeus de Marat Safin!

Essa realmente está sendo uma semana de aposentadorias no tênis masculino. No começo da semana foi Fabrice Santoro. Agora foi a vez do russo Marat Safin. Confesso que já vi inúmeras despedidas no circuito profissional, mas poucas me deixaram tão tristes quanto a do russo.

Safin, filho de treinadores de tênis, começou a jogar na academia administrada por seu pai em Moscou. Aos 14 anos se mudou para Valência em busca de uma melhor estrutura de treinamento.

Sua primeira aparição marcante no circuito profissional deve ser bem recordada por todos os brasileiros. Foi em 1998 em Roland Garros. Guga era a grande sensação do ano, já que havia vencido o torneio no ano anterior. Mas quem roubou a cena foi Safin, então na casa dos 120 do ranking. Vindo do qualifying, ele derrotou Andre Agassi na primeira rodada, no quinto set. Na segunda rodada surpreendeu o brasileiro, também com uma
vitória no quinto set. Ele acabou derrotado na quarta rodada pelo francês Cedric Pioline. Mas nascia nesse momento, o futuro número 1.

Dai pra frente o mundo começou a conhecer Marat Safin. Jogador de um talento fora do comum. Tanto talento, que dava a impressão que a raquete era uma extensão natural de seu braço. Golpes fáceis, com muita potência, peso e velocidade em suas bolas. Ao mesmo tempo, Safin era um jogador extremamente explosivo, nervoso e inconstante. Estima-se que Safin tenha quebrado ao longo de sua carreira mais de 300 raquetes. Mas quando sua cabeça estava no lugar e ele
estava motivado, era realmente difícil pará-lo.

Safin treinava duro, mas gostava de curtir a vida como ele próprio declarou. Disse que jamais deixaria de fazer as coisas de sua idade. Isso significava festas, mulheres, cassinos. Uma combinação que para um atleta de alto nível, não é das melhores.


Mesmo com temperamento difícil, Safin não deixava de ser extremamente carismático dentro e fora das quadras. Chegou a beijar uma juíza de linha na qual ele, sem querer, acertou uma bolada. Invadiu coletivas de imprensa com canecas de cerveja, mesmo depois de ter sido derrotado. Abaixou a bermuda no meio de uma partida. Atitudes como essas pareciam apagar a imagem de destruid
or de raquetes e o fez ganhar fãs por todo mundo.



Aos 29 anos de idade e após 13 anos de carreira, Safin termina uma carreira muito bem sucedida. Foram 15 títulos no total, incluindo o US Open de 2000, no qual derrotou Pete Sampras na final, Australian Open de 2005, onde bateu o também dono da casa Lleyton Hewitt e mais cinco Masters 1000. Ainda ajudou seu país a vencer a Copa Davis nos anos de 2002 e 2006.

Teve seu melhor ano em 2000, quando assumiu o topo do ranking pela primeira vez e venceu sete torneios. Foi o ano também onde travou batalhas
memoráveis contra Guga, entre elas a histórica final do Masters 1000 de Hamburgo, onde Guga levou a melhor após quase quatro horas de partida.

Ao todo, o russo ficou nove semanas na liderança do ranking.
Ao longo de sua carreira foram 687 jogos, sendo 421 vitórias e 266 derrotas. Essas vitórias lhe colocaram como 16o tenista que mais faturou na carreira, com uma fortuna acumulada em mais de US$14 milhões.

Como palco da despedida final, não poderia haver lugar melhor do que o torneio no qual venceu por três vezes, o Masters 1000 de Paris. O jogador que teve o privilégio de encerrar a carreira de Safin foi Juan Martin Del Potro, que se declarou fã de Safin e disse que ele é um de seus favoritos. Após a partida, jogadores da atual e velha geração, entre eles Novak Djokovic, Tommy Robredo, Ivo Karlovic, Gilles Simon, Cedric Pioline, Marc Rosset e Albert Costa entraram na quadra para prestar suas homenagens e assistir um vídeo exibido no telão da quadra central, com momentos de sua carreira de declarações de jogadores como Roger Federer, Rafael Nadal e Andy Murray.

Foi muito bom ver Safin em ação durante todos esses anos, com certeza sua presença no circuito fará muita falta, seu carisma, sua
facilidade, suas brincadeiras. Pena apenas, as raquetes terem sofrido tanto em suas mãos.

Como desejei a Santoro, desejo também uma excelente aposentadoria e agradeço pelo bons momentos de entretenimento proporcionados!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O Mágico em seu ato final!!

Como você se sentiria se um dos maiores jogares da história do tênis, Pete Sampras, o apelidasse de, O Mágico?

O único que realmente pode responder a essa pergunta é o francês Fabrice Santoro. Foi assim que Sampras o apelidou depois de o derrotar em 2002 em Indian Wells.

Santoro com certeza não recebeu esse apelido por sua técnica. Batendo todos os golpes com as duas mãos na raquete, com exceção do saque, o francês não é um modelo a ser seguido. Sem grande potência em seus golpes, Santoro teve de desenvolver outras partes do seu jogo para vencer, essas sim que lhe renderam o apelido.

Com uma inteligência e uma visão tática fora do comum, ele consegue achar ângulos que poucos conseguem, sua variação de jogo é impressionante. Ele jamais bate uma boa igual a outra, varia um slice, com um topspin, uma deixadinha, com um lob, sobe a rede, fica no fundo. Tentar achar um padrão de jogo, ou prever sua próxima bola deve ser um grande desafio para todos seus adversários. Seu estilo de jogo "enrolador", com muitas trocas de bolas, o levou a bater o recorde do jogo mais longo da história da Era Aberta. Em Roland Garros 2004, contra o compatriota Arnaud Clement, a partida durou 6 horas e 33 minutos, divididos em dois dias de batalha. Santoro venceu com parciais de 6/4 6/3 6/7 3/6 16/14.

Atualmente Santoro é o número 54 do ranking de simples, mas sua melhor posição foi 17o, atingida em 2001. Possui 6 títulos de simples. Seus melhores resultados no entanto vieram nas duplas, onde chegou a ser 6o do mundo, e alcançou 24 títulos, entre eles, 2 Grand Slams, ambos no Australian Open, 1 Masters Cup e 3 Masters 1000. Sem contar o título de duplas mistas em Roland Garros, em parceria com Daniela Hantuchova.

Sua primeira aparição em um torneio profissional foi em 1989. De lá pra cá Santoro acumulou mais de 1500 jogos (entre simples e duplas). Ele foi o jogador que mais jogos de simples perdeu, 442, mas ainda sim, possui um saldo positivo, já que ganhou 470 partidas. Ele participou nada mais, nada menos do que 69 torneios de Grand Slams, recorde absoluto de participações, deixando para trás o recordista anterior, Andre Agassi, que possui 62. O francês venceu 17 jogadores número 1 do mundo, entre eles Sampras, Agassi, Federer, Becker, Connors, Edberg, Guga e Safin. Este último sofreu na mão do Mágico, foram 7 derrotas em 9 jogos. Certa vez Safin declarou que saber que jogaria contra Santoro, era saber que iria morrer.

Depois de 20 anos de carreira, chegou a hora de curtir os
US$10 milhões em prêmios que acumulou nesse período. Santoro fez sua última aparição em um torneio profissional de simples no dia 08/11/09, contra James Blake no Masters 1000 de Paris. Com uma derrota na primeira rodada, Santoro disse que tentou imortalizar o momento. Agora quer passar mais tempo com sua filha de 8 anos e que gostaria de ajudar jovens jogadores.

Jogador muito querido entre os tenistas e entre o público, vai deixar saudades pela atitude que tinha dentro e fora das quadras, pela garra, lições táticas e pelas bolas e pontos inacreditáveis que fez. Segue um link com jogadas incríveis de Santoro. Ele realmente merece o apelido que recebeu.

Obrigado Mágico!! Aproveite sua aposentadoria!!