quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Esqueceram do Chapecó!

O grande nome da semana no tênis brasileiro não é Gustavo Kuerten, nem Thomaz Bellucci, mas sim Tiago Fernandes, juvenil de apenas 17 anos que conquistou um dos torneios mais importantes do mundo, a chave juvenil do Australian Open. Feito que nenhum brasileiro jamais havia obtido.

Como todos que ganham destaque na mídia, suas histórias são contadas, fatos são lembrados e os parabéns são dados ao jogador e ao treinador e com Tiago não está sendo diferente. Mas num esporte individual como o tênis, em que grande parte das vezes os jogadores passam nas mãos de diferentes técnicos ao longo da carreira, é normal que no momento do grande triunfo, apenas o atual seja lembrado e toda a glória fica para ele.

Em todos os lugares li histórias de como Tiago trocou a natação pelo tênis e sobre sua ida para a academia de Larri Passos, seu atual treinador. Mas em pouquíssimos li o nome de Carlos Chabalgoity, mais conhecido como Chapecó. Pra quem não o conhece, foi um dos grandes juvenis brasileiros nos anos 80, enorme talento, vencedor de torneios como o Orange Bowl (Foto maior, segundo da direita pra esquerda, em sua conquista no Orange Bowl).

Chapecó tinha um projeto para captar novos talentos em torneios e orientá-los, junto a seus treinadores em suas respectivas cidades. Chapecó daria toda a acessoria, e com o tempo a idéia era levá-los à um centro de treinamento. O projeto não emplacou como planejado por falta de patrocínio, mas de certa forma aconteceu com apenas um jogador, Tiago Fernandes.

Na época em que Chapecó começou a observá-lo, ele tinha apenas 11 anos. Com muito conversa com os pais de Tiago que até então não queriam muito envolvimento com o tênis, a parceria finalmente se iniciou um ano depois. Tiago continuou morando em Maceió, mas frequentemente vinha a São Paulo passar alguns dias treinando com Chapecó e dormindo em sua casa. Inúmeras foram as vezes que treinaram com a gente no Play Tennis. Os dois também passavam tempos em Brasília, terra natal de Chabalgoity. Mas não era apenas Tiago que ia e vinha, Carlinhos também passava tempos como ele em Maceió. Era um enorme vai e vem.

Chapecó chegou a ir ao colégio de Tiago e apresentar o trabalho que os dois estavam fazendo e que esse demandaria viagens, por consequência algumas faltas extras. A situação foi muito bem aceita pelo colégio que faria o possível para ajudar na parte escolar.

Os dois viajaram juntos para torneios nacionais e internacionais. E foi em uma dessas viagens, depois de excelente campanha no Orange Bowl onde Tiago se tornou número 1 do mundo de 14 anos, que o brasilense conseguiu um grande patrocínio de roupas e raquete para seu pupilo.

Mas tempos depois a parceria chegou ao fim e ai começou a parte da história que todos conhecem.

Conversando com Chapecó percebi um enorme carinho pelo garoto, e uma profunda admiração. Ele me disse que Tiago sempre teve uma dedicação impressionante, uma postura e maturidade acima da média. Chapecó acredita muito no sucesso de seu ex-jogador.

Mas de qualquer maneira, gostaria aqui de parabenizar o Chapecó pelo trabalho feito com o Tiago por quase três anos, justamente numa idade e fase tão delicada. Trabalho esse que ajudou a moldar muito do que o Tiago é hoje como pessoa e jogador. Portanto, uma parte desse e de todos os títulos que ele vier a conquistar daqui para frente pertencem um pouco a você e ao Polaco que foi quem iniciou o Tiago em suas primeiras raquetadas.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Calendário de Eventos no Ar!

2010 promete ser um ano muito agitado no Play Tennis, pelo menos o primeiro semestre vem recheado de eventos. Acabou de sair o calendário para a primeira metade do ano.

Ao todo estão programados 17 eventos. Serão clínicas masculinas e femininas. Eventos para crianças como o Play Teen e o Play Kids. O Inter Team que é um torneio realizado nos moldes da Copa Davis. Cardio Tênis pra quem quer misturar tênis com preparação física, além dos tradicionais Torneios Internos.



Esses eventos serão divididos entre as quatro unidades e todos realizados pelos profissionais da rede. Para saber mais sobre o que é e como funciona cada evento, clique aqui. Se você quiser conferir a data de cada um, bem como o local e horário, clique aqui.



Não deixe de participar, é uma grande oportunidade de melhorar seu tênis, suar a camisa, bem como fazer novas amizades, se divertir e dar boas risadas. Caso você nunca tenha participado, confira a galeria de fotos no nosso site e veja um pouco do que aconteceu em 2009. Fique ligado. Aguardamos vocês!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Semana devagar... para os Top!

Toda semana que segue um Grand Slam é meio devagar. Torneios acontecem, porém as grandes estrelas preferem descansar e treinar. Jogar um torneio de duas semanas, com partidas de cinco sets, e com a importância de um Grand Slam, sempre mexe mais com a parte física e mental dos jogadores. É claro que quem perde na primeira semana, pode descansar na segunda, e voltar aos torneios na semana seguinte ao GS, mas de qualquer forma os três torneios da ATP que estão começando hoje, não possuem tantos nomes de peso em suas chaves.

Fevereiro é um mês em que há uma estranha divisão de torneios. No hemisfério norte acontecem torneios indoor em quadra rápida e no hemisfério sul, principalmente na América do Sul, os torneios são realizados no saibro. Europa e EUA se dividem nos torneios de quadra rápida que servem de preparatório para os dois grandes torneios de Março que acontecem no EUA, o Masters 1000 de Indian Wells e de Miami. Já a América do Sul se encarrega de cuidar da pré temporada de saibro, visando a sequência de torneios na superfície que começam em Abril com Masters 1000 e outros menores e culminam com Roland Garros.

Essa semana teremos o ATP 250 de Johannesburg na África do Sul, onde os principais nomes são Gael Monfils e David Ferrer. O brasileiro Thiago Alves também foi se aventurar no país da Copa e entrou direto na chave principal. Ele estréia contra o Ucraniano Dolgopolov.

O ATP 250 de Zagred na Croácia é um dos disputados em quadra rápida indoor no mês e é o que tem a chave mais difícil essa semana. Nomes como Mario Cilic que defende o título do ano passado, Ivan Ljubicic, Ivo Karlovic, Jurgen Melzer, Janko Tipsarevic brigam pelo título.

Por último temos o ATP 250 de Santiago no Chile, torneio que abre a sequência na América do Sul. A estrela local, quatro vezes campeão do torneio, inclusive nos últimos dois anos, Fernando Gonzalez é o cabeça 1. Três brasileiros estão na chave principal. Thomaz Bellucci como cabeça 3, Marcos Daniel e Ricardo Mello que podem se enfrentar na segunda rodada caso vençam seus jogos de estréia. Feijão está indo bem no quali e luta por uma vaga na chave principal.

Talvez a grande notícia da semana, além do 16o título de Federer em Grand Slams, é a queda no ranking de Rafael Nadal que pela primeira vez desde Junho de 2005, está fora dos Top 3. A situação dele pode piorar ainda mais dependendo da gravidade da lesão e do tempo que ele terá de permanecer afastado. Lembrando que o primeiro semestre de 2009 foi fantástico para o espanhol. Além do título do Australian Open, Nadal defende pontos das finais em Rotterdam e Madrid, títulos em Barcelona, Indian Wells, Monte Carlo e Roma. Só ai ele tem 4.400 pontos a serem defendidos até 10 de maio. Se tirarmos esses pontos dos 7.670 que ele possui hoje, ele caíria nesse momento para a nona colocação. Espero que isso não aconteça.

Boa sorte para Nadal e para os brasileiros. As chaves dos torneios dessa semana estão na lateral do blog.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Novo ano, velhos resultados!

Chega ao fim mais um Australian Open. Apesar de amar Grand Slams e sentir um vazio quando eles acabam, preciso confessar que estou aliviado. Minhas noites de sono voltaram ao normal, sem tv e computador ligado. Australian Open é um torneio fantástico, mas o fuso horário mata!

Sai ano, entra ano, os torneios se repetem e os campeões também. Essa foi a história do primeiro Grand Slam da temporada 2010.

No feminino, a campeã de 2009 defendeu seu título no confronto mais esperado do ano. Serena Williams conquistou seu 12o título de Grand Slam, empatando com Billy Jean King e se tornou a maior vencedora do Australian Open ao derrotar a belga ex-número 1 do mundo, Justine Henin. Todos estavam ansiosos para ver como Henin atuaria depois de 20 meses longe das quadras. Ela não decepcionou. Teve de passar por boas jogadoras para chegar à final, mas quando se tem Serena do outro lado, é preciso dar um passo a mais. Foi ai que vimos e sentimos que ela ainda precisa de ritmo de jogo. Com erros em momentos importantes, saque deixando-a na mão, Serena não perdoou. Eu esperava mais do jogo em si, achei que houve muitas quebras de serviço e não porque as devoluções estavam espetaculares, mas porque não estavam sacando tão bem. Também esperava mais belas jogadas. Acredito que um novo duelo entre as duas daqui uns meses quando Henin estiver mais preparada, fará com que tenhamos um jogo de melhor qualidade e mais disputado.

O fato de a Henin ter ido à final de Grand Slam logo em seu retorno, mostrou mais uma vez que o tênis feminino realmente não está em boa fase. Não desmerecendo a belga, mas isso não é algo que deva acontecer e duvido que isso aconteceria no masculino!

Entre os homens, a esperança britânica, Andy Murray, não conseguiu tirar seu país da fila de 73 anos sem títulos de Grand Slam. Estranha essa estatística, considerando a tradição dos britânicos no tênis e pelo fato de terem o torneio mais importante do calendário, Wimbledon. Murray chegou muito credenciado a essa final. Apresentando um tênis de altíssima qualidade ao longo da semana, a esperança em torno dele cresceu muito. Mas também, para acabar com esse jejum justamente diante de Roger Federer é preciso mais!

O jogo começou morno, com muitas trocas de bola, mas ninguém se arriscando muito. Federer começou errando suas primeiras tentativas de partir para cima, mas logo ganhou confiança e foi isso que fez a partir de então. Murray parecia nervoso e apenas no terceiro set começou a jogar taticamente correto. Passou a atacar mais, buscar os pontos, mexer Federer de um lado para o outro, impedindo que o suíço o atacasse de maneira confortável. Seu saque também melhorou. Chegou a sacar para fechar o set com uma quebra na frente. Mas são nesses momentos que ser Federer faz a diferença. Federer devolveu a quebra e levou para o desempate. O tie-break foi emocionante e disputado, Murray teve muitas chances de fechar o 3o set, mas desperdiçou. Federer resolveu tomar a iniciativa, e quando o fez, fechou o jogo em 6/3 6/4 7/6(11).

Na premiação, mais uma vez as lágrimas escorreram dos olhos do vice campeão. Pelo discurso embargado de Murray pudemos perceber o peso que ele carregava em suas costas, ao pedir desculpas aos britânicos por não conseguir ganhar esse título para eles.

Assim como Federer disse na premiação que Murray é muito bom para não ganhar um Grand Slam, também acredito que a hora dele chegará e creio que não irá demorar, mas seria mais fácil se ele conseguisse jogar pra ele apenas e não por toda uma nação.

Federer chegou ao seu 16o título de Grand Slam, e ao seu 4o Australian Open, primeiro como pai. Alguns dizem que já estão cansados de ver apenas Federer vencendo, mas sinceramente, ver o suíço jogar é muito bom. É uma aula de técnica, de tática, de movimentação, de comportamento e atitude. Depois da pressão que sentia o ano passado ao perder para Nadal na final, vemos um Federer muito mais tranquilo após suas conquistas em Roland Garros e Wimbledon. Espero conseguir vê-lo jogar ao vivo em um grande torneio antes que se aposente!

Queria aproveitar para parabenizar Tiago Fernandes pela brilhante conquista do Australian Open na chave juvenil. É a primeira vez que um brasileiro ganha um Grand Slam nessa categoria. Uma conquista que sem dúvida anima a todos. Obviamente as comparações já começaram, mas acho que elas são erradas e não deveriam ser feitas. Potencial sem dúvida ele tem, mas no tênis existem dezenas de variáveis que podem afetar a carreira de um jogador e podem fazer com que ele dê certo ou não. É muito cedo ainda. Gosto da cautela que Larri Passos, seu treinador, está tomando para que ele não dê um passo maior que perna. Sem dúvida Tiago está em boas mãos.

Bom, o torneio acabou, mas algumas perguntas ficam desse primeiro Grand Slam: Nadal conseguirá fazer uma temporada sem contusões? Quanto tempo seu corpo irá aguentar? (Ele que ficará fora dos Top 3 pela primeira vez desde 2005). Tenistas como Sharapova, Ivanovic, Jankovic e companhia, começarão a jogar tênis ou passarão a temporada toda preocupadas com marketing, vestidos e brincos? Que posição no ranking as belgas Clijsters e Henin alcançarão nessa temporada? Quantos Grand Slams Federer ainda irá conquistar até o fim de sua carreira? (Essa última pergunta está na enquete do blog).

Dê sua opinião sobre as perguntas acima! Escreva seu comentário e vote na enquete!

See you next year mate!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Façam suas opostas!

Em sua grande maioria, finais de Grand Slam são sempre promessas de grandes jogos, afinal de contas, normalmente envolvem grandes nomes. Será assim no feminino entre Serena e Henin e será assim no masculino.

Um finalista nós já sabíamos, tinha saído ontem na vitória de Murray sobre Cilic. Hoje ficamos sabendo o outro, Roger Federer, que já era de se esperar. A surpresa foi a forma com que o suíço venceu Tsonga, que praticamente nem entrou em quadra e levou fáceis 6/2 6/3 6/2, em menos de 90 minutos de partida. Um treino de luxo às vésperas da decisão.

Como será difícil prever um vencedor para essa final. Federer está indo para sua 22a final de Grand Slam (recorde) e busca seu 16o título (também recorde). Já o britânico está indo para sua segunda final (a primeira perdeu para Federer no US Open em 2008) e busca seu primeiro título. Em termos de experiência, ponto para o suíço.

Mas a questão é que Andy Murray evoluiu muito desde então. Ele parece estar mais rápido e ágil em quadra, todas suas partidas são recheadas de bolas mágicas e winners feitos de jogadas praticamente impossíveis. O jogador estritamente devolvedor e contra-atacador está abrindo espaço para um jogador mais agressivo que também busca controlar os pontos. Isso abre o leque de possibilidades de variações táticas, algo que ele tem feito com maestria. Deixadinhas, subidas a rede, lobs, saques bem colocados fazem parte desse arsenal de variação.

A questão é que do outro lado temos um jogador que sabe fazer isso tudo há muito tempo e por isso conquistou e quebrou quase todos os recordes. Federer melhorou de produção a cada jogo ao longo do torneio. Devolveu as duas derrotas seguidas ao russo Nikolay Davydenko, jogador que entrou no torneio como o homem a ser batido. Perdeu apenas dois sets até aqui.

Murray também fez uma campanha para não deixar nenhuma dúvida da fase em que se encontra. O único set perdido veio contra Cilic na semifinal.

É claro que no tênis, temos aqueles dias que tudo dá certo ou tudo dá errado, Clijsters que o diga. Mas considerando um jogo em que os dois estejam em condições normais de temperatura e pressão, acredito que o confronto será decidido na cabeça. Isso porque todo o resto está muito similar. Tecnicamente e fisicamente, pouco muda entre os dois. Ambos são inteligentes, mas quem lidará melhor com a pressão? Essa em minha opinião é a pergunta que vai decidir a partida.

Como já disse antes, Federer é um campeão, e como tal, quer vencer a qualquer custo, não importa quantos Grand Slams ele já tem em sua prateleira. Mas de qualquer forma, ele não tem mais o que provar à ninguém. Do outro lado da quadra temos um jogador que quer provar que pode ser um vencedor de torneios grandes. Além de carregar a esperança de toda a Grã-Bretanha de ter um grande vencedor e o número 1 do mundo. E isso não é pouco dentro da cabeça de um jogador.

Acho que a hora de Murray não vai demorar a chegar, mas não creio que será dessa vez. Meu palpite para essa final vai para Federer.

E você, qual o palpite e opinião sobre a primeira final de Grand Slam do ano? Lembrando que a Austrália também costuma ser palco para novos campeões em Grand Slams.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Reencontro de Feras!

O circuito feminino verá nesse próximo sábado o duelo que talvez seja o mais esperado da temporada. Serena Williams x Justine Henin.

Serena Williams, 28 anos, atual número 1 do mundo, é vencedora de 11 Grand Slams, sendo quatro deles na Austrália, onde nunca perdeu uma final, em simples e em duplas. A americana combina força física, com agilidade e velocidade. Seus golpes de fundo de quadra são potentes, bem como seu saque, mas ela também sabe variar bolas. No torneio, Serena passou facilmente pelas quatro primeiras rodadas. O primeiro desafio de verdade só veio nas quartas de final contra Victoria Azarenka. Serena perdeu o primeiro set e perdia o segundo por 4/0, quando começou uma reação brilhante, fechando o jogo 4/6 7/6 6/2. Na semifinal sofreu um pouco contra a surpreendente chinesa Na Li e teve de vencer dois tie-breaks para avançar à final.

Já Justine Henin, 27 anos, vencedora de 7 Grand Slams, apenas um na Austrália, está voltando agora ao circuito depois de se tornar a primeira jogadora a se aposentar no momento em que era número 1 do mundo, posição que ocupou por 117 semanas. Sua aposentadoria veio no meio da temporada de 2008, e seu retorno aconteceu esse ano, quando alcançou a final do WTA de Brisbane, onde perdeu para sua compatriota Kim Clijsters.

Seu retorno vem gerando muita expectativa e ela está correspondendo. Logo na segunda rodada eliminou Elena Dementieva, russa que venceu Serena na final do torneio preparatório de Sidney. Na terceira rodada sofreu para vencer outra russa, Alisa Kleybanova. Mesmo sofrimento passou na vitória contra a belga Yanina Wickmayer que vem jogando um excelente tênis. Nas quartas pegou Nadia Petrova e venceu em dois duros sets. A maior moleza veio na semifinal onde eliminou outra surpresa chinesa, Jie Zheng.

As duas já se enfrentaram 13 vezes. Serena lidera com sete vitórias contra seis de Henin. O último confronto aconteceu em 2008, em Miami, com vitória da americana. Elas nunca se enfrentaram numa final de Grand Slam.

Pelo que eu vi até o momento, acho a Serena favorita. Henin está sem dúvida jogando muito bem, tem talento, bate forte, sabe subir a rede, algo raro no circuito feminino, usa a inteligência, mas ainda não está 100%. Seu saque está sem confiança. Ela fez até o momento 23 aces contra 33 duplas faltas (Serena fez 53 aces e 9 duplas faltas) e a porcentagem de acerto do 1o serviço esteve sempre abaixo de 60%, com exceção de uma partida. Sua estatística de winners vs erros não forçados também é negativa, 190 contra 225. Até agora ela tem sobrevivido dessa maneira, mas quando se tem pela frente Serena Williams, é preciso fazer mais do que isso.

Deixe sua opinião de quem será a vencedora do Australian Open 2010 e por que.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O Retorno do Fantasma!

O jogo desta manhã entre Nadal e Murray era provalmente um dos mais aguardados do torneio, assim como será o dessa noite entre Federer e Davydenko.

Inteligência tática, grande movimentação e muita troca de bola são algumas das características destes dois jogadores. Um lutando pelo seu primeiro título de Grand Slam e se solidificar como a grande promessa britânica dos últimos tempos. Outro tentando defender o título do ano passado e querendo provar que seus problemas físicos estavam superados. Não poderia deixar de ser um grande jogo. E realmente foi até a desistência de Nadal com dores nos joelhos. O mesmo fantasma que assombrou o espanhol ano passado parece que retornou mais uma vez.

Desde que ele apareceu no circuito, lembro dos comentários e perguntas sobre a longevidade da carreira de Nadal. O modo como ele bate na bola, sua técnica estranha, movimentação e determinação de chegar a cada bola, parece que estão levando o espanhol a mais uma temporada de contusões.

Com ou sem contusão, a vitória muito provavelmente seria de Murray que já vencia por dois sets a zero e estava jogando um tênis magnífico. Muito aplicado taticamente, com um repertório de variação de bolas que pouco vejo nos dias de hoje, uma leveza em sua movimentação que parecia levá-lo a cada bola equilibradamente e pronto para o golpe, com frieza nos momentos importantes e decisivos dos sets. Tudo isso combinado faz com a vida do adversário se torne miserável.

Talvez tenha chegado o momento de o britânico conquistar o seu tão sonhado e esperado Grand Slam. Na semifinal encontrará um confiante, porém cansado Cilic que já permaneceu em quadra por 18 horas em cinco partidas, sendo três delas decididas no quinto set, incluindo as últimas duas. Do outro lado, Murray não perdeu um set sequer e permaneceu na quadra oito horas a menos que o croata. Ficaria muito surpreso se Murray perdesse.

Na final acredito que ele deva encontrar com Federer ou Davydenko, jogo que acontece nessa madrugada. Não acredito que o vencedor dessa partida perca para Djokovic ou Tsonga que jogam amanhã cedinho. Federer vem apresentando um tênis espetacular e em minha opinião é favorito, talvez não pelo jogo em si, mas pela parte mental. O suíço é o mais experiente e não precisa provar tanto quanto Murray e Davydenko.

Parabéns Murray, parabéns Cilic e boa sorte Nadal, espero que não seja nada sério, gostaria de vê-lo em quadra com toda a força em breve e por muito tempo!

domingo, 24 de janeiro de 2010

Me rendo!

Eu preciso confessar que não sou um grande fã de Andy Murray. Nunca gostei de seu estilo de jogo, tampouco de seu jeito dentro de quadra. Mas acho que preciso ser justo.

Continuo não gostando de seu estilo. Gosto de jogadores mais agressivos, que buscam o ponto e tentam controlá-lo, partem pra cima. Essa logicamente não é uma característica de Murray. É um jogador que vejo ter inúmeras oportunidades de atacar, ir para o winner e definir o ponto, mas prefere colocar em quadra, com boa margem de segurança das linhas.

Mas tenho que reconhecer que é um excelente contra-atacador. Até por suas características de não atacar e de ter provavelmente a melhor movimentação do circuito, ele desenvolveu esse poder de contra-atacar.

Assistindo seus jogos no Australian Open e principalmente o último contra John Isner, fiquei impressionado com sua movimentação. É incrível como ele consegue cobrir toda a quadra, estar em todo lugar e em bolas impossíveis, ele consegue arrancar winners onde muitos talvez nem chegariam.

Dentro de sua proposta de jogo, ele sem dúvida a executa com maestria, mas continuo achando que ele poderia trabalhar um pouco mais na busca por ofensividade. Não querendo mudar sua característica de jogo, mas acredito que isso o pouparia um pouco mais de ter que correr tanto, e talvez seja um pouco disso que esteja faltando para que ele possa vencer grandes torneios.

Nadal que tem um estilo de jogo parecido, é um grande corredor e excelente contra-atacador, porém ataca muito mais do que Murray, e os resultados de ambos mostram que tem mais sucesso! Sem dúvida essa noite, no confronto entre os dois pela semifinal, torcerei fervorosamente por Nadal!

sábado, 23 de janeiro de 2010

Agora é pra valer!

Torneios Grand Slam são fantásticos, do começo ao fim, mas todos devem concordar que ele começa pra valer na segunda semana.

A primeira semana tem sempre algumas zebras, com jogadores favoritos sendo surpreendidos e voltando pra casa mais cedo, e eventualmente algum grande duelo, mas nada além do eventual. A partir das oitavas de final é que os cabeças de chave começam a se enfrentar e os jogos a ficar realmente equilibrados.

Essa última noite por exemplo, deve ter sido uma das mais chatas da história de um Grand Slam. Além de um WO, houve duas desistências, uma delas justamente no único jogo que eu achei que seria equilibrado entre Hewitt e Baghdatis. Os outros jogos foram treinos de luxo, tanto no masculino quanto no feminino. Federer, Djokovic, Davydenko, as irmãs Williams, Azarenka, Wozniacki passaram sem dificuldades para a próxima rodada.

Essa noite já teremos Andy Murray contra John Isner. O britânico tem passado com extrema facilidade por seus adversários até aqui. Já Isner teve que suar muito mais, mas está em boa fase. Venceu seu primeiro ATP na semana anterior, e na rodada passada eliminou Gael Monfils. Rafael Nadal enfrenta o gigante recordista de aces, Ivo Karlovic. O croata evolui, aparentemente está deixando de ser jogador de um golpe só. Nadal venceu os dois confrontos entre eles até hoje, mas sempre com dificuldade. Roddick e Gonzalez também prometem fazer um excelente jogo. Roddick leva vantagem no histórico, e também vem de título nos torneios preparatórios para o Australian Open. No duelo de gigantes da rodada, Del Potro encara Mario Cilic. O argentino passou com dificuldade pelas três primeiras rodadas e não parece estar em plena forma. Cilic também teve suas dificuldades, mas em minha opinião é favorito para esta noite.

Amanhã teremos ao menos dois jogos interessantes, Federer que dispensa comentários contra Hewitt que vem jogando bem, está em casa com o apoio da torcida e estará descansado uma vez que seu jogo contra Baghdatis não durou muito. Outro bom jogo deve ser entre Verdasco e Davydenko. O espanhol é um excelente jogador e fez uma partida memorável contra Nadal ano passado na semifinal. Davydenko é o jogador do momento, provável favorito ao título, vem atropelando quem passa por seu caminho e mesmo assim, esquecido pela mídia. Os outros dois jogos não prometem tanto. Djokovic pega Lukasz Kubot, atual 86o do mundo e venceu a última partida por WO. Tsonga enfrenta Almagro que é um bom jogador, mas não acredito que será páreo para o francês.

Quem são seus favoritos nessa rodada de grandes duelos?

Tênis, vai entender!

Esporte em geral é uma caixinha de surpresas, mas tênis é realmente difícil de entender.

A grande notícia dos últimos dois dias foi sem dúvida a eliminação de Kim Clijsters e principalmente o modo como ela foi eliminada. A campeã do US Open do ano passado era um dos nomes mais cogitados para levantar a taça no torneio australiano, mas em um dia daqueles, onde nada parece dar certo, ela tomou um 6/0 6/1 de Nadia Petrova. Ai vem àquela velha história, será que ela jogou tão mal que Petrova nem precisou jogar, ou Petrova de alguma forma não a deixou jogar. Eu sinceramente não vi o jogo, mas pelos melhores (ou piores) momentos e comentários, parece que aquele não era o dia dela mesmo. Explicar porque essas coisas acontecem, difícil, mas talvez a pressão que ela não teve ano passado durante o US Open, pesou forte em seus ombros agora.

Outra coisa que me chamou a atenção. No jogo do Del Potro contra Florian Mayer, o argentino venceu o jogo e confirmou o favoritismo, até ai tudo bem. Mas como pode após vencer o primeiro set por 6/3, levar um pneu do alemão no segundo e em seguida vencer 6/4 7/5? Da onde surgiu esse 6/0 no segundo set? Como pode um jogador sair tanto de jogo e/ou o outro entrar tanto no jogo? Se servir de consolo, o Mayer pode contar que já deu um pneu no Del Potro.

Essas, entre outras coisas que me apaixonam no tênis. São essas possibilidades, essas variações onde uma saidinha de giro, pode custar um set, ou um jogo inteiro. Mas acredito e concordo com a frase: "quanto mais eu treino, mais sorte tenho" e dia como esses de Clijsters se tornam mais raros.